Segunda-feira, o recomeço. Uma lista nova de regras, um aplicativo novo, a promessa de que desta vez vai ser diferente. Alguns dias ou semanas depois, a rotina aperta, a vontade aparece, e a regra é quebrada. No lugar da dieta, fica a conclusão de sempre: “eu não tenho força de vontade”.

Se você já passou por esse ciclo algumas vezes, sabe que o mais pesado nem sempre é a dieta. É o que sobra depois dela: culpa, frustração e a sensação de fracasso. É sobre essa parte que eu quero falar.

Por que culpar a força de vontade pesa tanto?

Dizer que tudo é “falta de força de vontade” parece uma explicação simples. O problema é que ela coloca toda a responsabilidade num suposto defeito de caráter, e deixa de fora quase tudo o que influencia a sua relação com a comida e com o corpo.

Quando alguém acredita que falhou por fraqueza, a resposta natural é se cobrar mais na próxima tentativa. E a cobrança costuma vir em forma de regras ainda mais rígidas, que são ainda mais difíceis de sustentar. O resultado é mais um recomeço, e mais um capítulo da mesma história.

O que fica de fora quando a dieta não se sustenta?

No consultório, quando olhamos com calma para essas tentativas, aparecem fatores que raramente entram na conversa sobre dieta:

Nada disso é desculpa. É informação. E informação é o que permite mudar de um jeito que se sustenta.

Quando o emagrecimento vira sofrimento?

Buscar emagrecer não é, em si, um problema. O sofrimento aparece quando esse objetivo passa a comandar a vida: quando a comida vira fonte constante de ansiedade, quando o corpo é o primeiro assunto do dia, quando você deixa de ir a lugares, de tirar fotos ou de se expor por não se sentir adequado.

Nesse ponto, o peso na balança já não é o único assunto. O que está em jogo é a forma como você se enxerga e se trata. E isso merece cuidado próprio, independentemente de qualquer número.

Trocar a pergunta

Em vez de “por que eu não consigo?”, proponho outra pergunta: o que está mantendo esse ciclo?

Essa mudança parece pequena, mas muda tudo. A primeira pergunta procura um culpado, e quase sempre o culpado é você. A segunda procura entender. Ela abre espaço para olhar os pensamentos que aparecem depois de comer, as situações em que a vontade fica mais forte, as regras que você nem percebe que segue e as emoções que acompanham cada recomeço.

Como a Terapia Cognitivo-Comportamental ajuda?

A TCC trabalha exatamente com esse tipo de ciclo. No meu trabalho, ela parte de uma escuta que não é punitiva nem moralista: aqui as suas dificuldades não são reduzidas a disciplina, força de vontade ou aparência.

Nos primeiros encontros, entendemos a sua história e as experiências que ajudaram a construir os padrões de hoje. A partir disso, montamos juntos um plano para intervir no que mantém o sofrimento no presente e para desenvolver uma relação mais funcional com a alimentação, a autoimagem e a autoestima. Você pode ver como funciona o processo, etapa por etapa, aqui no site.

Um ponto importante: a terapia não substitui o acompanhamento de outros profissionais de saúde quando ele é necessário. Em muitos casos, o cuidado com a relação com a comida funciona melhor em conjunto, por exemplo com nutricionista ou médico.

Um convite para parar de recomeçar do zero

Se você está cansado de recomeçar toda segunda-feira, talvez o próximo passo não seja uma dieta nova, e sim entender o que torna as anteriores tão difíceis de sustentar.

Se fizer sentido para você, pode me mandar uma mensagem. A gente conversa sobre o que você está vivendo e vê, juntos, se a terapia faz sentido para o seu momento.

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